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Jornal do Agrupamento de Escolas Cego do Maio
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Passeio Queirosiano
Por Ana Ribeiro – Be/cre (Professora), em 2016/09/19364 leram | 0 comentários | 75 gostam
No dia 14 de setembro, um grupo de 44 pessoas do AE Cego do Maio, entre professores de várias escolas do Agrupamento, a Diretora, assistentes operacionais e administrativos, participou num passeio cultural para assinalar o arranque do ano lectivo.
Esta iniciativa foi proposta pela Biblioteca Escolar e contou com a organização da Editora Opera Omnia.
No cumprimento do programa, um autocarro partiu da escola seguindo rumo a Porto Antigo onde parámos para observar a paisagem. Seguimos para o Mosteiro de Santo André de Ancede, onde o P. Delfim Fernandes, coordenador da BE, celebrou a Eucaristia para todos os que quiseram participar, orando por toda a comunidade escolar e seus familiares.
Cheios de apetite, rumámos para o restaurante Casa do Lavrador (museu rural e etnográfico que integra a Associação Cultural e Recreativa de Santa Cruz do Douro) onde desfrutámos uma ementa semelhante à do romance “A Cidade e as Serras”: a Canja, o tradicional prato de Arroz de Favas com Frango Alourado e o Creme Queimado.
Seguiu-se uma visita guiada à casa que foi herdada pela mulher de Eça de Queirós, Emília de Castro Pamplona, e onde hoje está a Fundação Eça de Queiroz! A casa de granito, de aspeto majestoso, guarda o espólio do autor, nomeadamente, à entrada, a célebre mesa do “arroz de favas” e o “trono de Jacinto”, imortalizados no romance “A Cidade e as Serras”. Na biblioteca, sobressaem variadíssimos livros e um melancólico quadro de cariz impressionista, oferecido pelo amigo Carlos Reis; as fotos de família e de amigos; o material de escrita e a sui generis escrivaninha, onde ele só sabia escrever de pé, entre outras tantas curiosidades, desde o canudo até às caixas onde guardava os pentes. No compartimento contíguo, está exposta uma cambaia de seda bordada a ouro, presente ofertado ao escritor pela defesa dos direitos dos trabalhadores chineses, como consequência da sua missão diplomática em Cuba. No quarto do escritor destaca-se a cama, demasiado pequena, pormenor irrelevante para o nosso Eça, já que tinha o hábito de dormir com inúmeras almofadas, o que lhe permitia uma posição mais cómoda para os seus problemas respiratórios. Em frente ao leito, expõe-se um quadro do avô, figura que, pela importância na vida do escritor, serviu de inspiração à personagem de Afonso da Maia, no romance “Os Maias”.
Fizemos também uma passagem pela cozinha tradicional, pela capela e, por último, o lagar, atualmente convertido numa loja onde se vendem produtos da propriedade e livros subordinados ao autor.

Rumo à Estação Ferroviária de Aregos onde saboreámos produtos locais, houve uma breve paragem para olhar e “absorver” a beleza do Solar do Lodeiro onde se evocou o drama de José Augusto e de Fanny Owen.
Convém sublinhar o privilégio do guia, José Manuel Costa, que teve um desempenho notável, superando as expetativas pelos seus conhecimentos de Literatura e sociedade do séc. xix e por um cunho pessoal longe das “cassetes” tradicionalmente ouvidas.
Chegados ao ponto de partida, à escola, cerca das 21h30, a satisfação por um dia bem aproveitado era o traço dominante e, certamente, o incentivo para novas oportunidades.

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